Retrofit em imóveis ‘datados’: modernidade e segurança
Do pé direito alto ao encanamento ultrapassado e com vazamentos, são muitos os entraves que um imóvel “datado” pode apresentar como desafios para voltar a ser habitado, tanto de forma residencial como comercial. A atualização funcional de prédios antigos – tecnicamente conhecida como retrofit – é o processo de modernização de imóveis para que atendam à legislação e normas vigentes no setor.
“São normas de segurança, tecnologia, acessibilidade e sustentabilidade atuais, sem descaracterizar a arquitetura original do lugar ou exigir a demolição total”, explica a arquiteta Dorys Daher (www.dgarquitetura.com.br), radicada em Ipanema, no Rio de Janeiro. “Na prática, transformamos construções muitas vezes já obsoletas em espaços competitivos e seguros a partir de diversas etapas”, diz a profissional.
Em um projeto retrofit, as principais intervenções acontecem na infraestrutura do imóvel, como a troca de fiação elétrica antiga, modernização de elevadores, reforço estrutural e atualização da rede hidráulica. Em nome da sustentabilidade, são recomendadas também a instalação de sistemas de reuso de água, painéis solares e isolamento térmico/acústico para aumentar a eficiência energética.
Em termos de tecnologia, um projeto de transformação de prédios datados leva em conta um cabeamento estruturado, a automação predial (conectando sensores, equipamentos e sistemas de um edifício à internet), que permite o controle e monitoramento em tempo real de iluminação, climatização e segurança, transformando as construções comuns em prédios inteligentes.
“A adequação à legislação também é fundamental, como a inclusão de rotas de fuga contra incêndio, rampas de acesso e banheiros adaptados, por exemplo”, cita a arquiteta Dorys, que conclui: “As vantagens do retrofit incluem ainda a preservação histórica, mantendo a identidade e o valor cultural do edifício e do entorno.”
Em termos financeiros, a recuperação de prédios não costuma ser mais econômica e nem mais rápida do que construir um prédio novo. É necessário fazer o levantamento de todo o imóvel, conceituar o projeto de acordo com o existente; isso pode parecer simples, mas não é.
“Além disso temos um trabalho muito grande para adequar as questões de infraestrutura. Mesmo assim, com todas essas dificuldades, o resultado é lindo! A construção permanece, não há preço para a manutenção dos prédios de valores arquitetônicos que enriquecem e faz a história das nossas cidades mais bonita. Sem história não há futuro. E mais: essa tendência valoriza o imóvel, que se mantém “datado”, mas com os requintes da modernidade e segurança.”
Fotos: Divulgação
Construções “datadas” merecem atenção; processo retrofit levam em conta várias adaptações elétricas e hidráulicas, mantendo traços originais
Dorys Daher é arquiteta radicada no Rio de Janeiro


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