Gigantes no trabalho, crianças no espelho
Sabe aquela pessoa que parece ter a vida perfeita no trabalho? Pode ser um grande executivo ou uma empresária de sucesso. Alguém que resolve problemas impossíveis, bate metas antes do prazo e é admirado por todos. Mas a verdade é que muitos desses líderes vivem uma contradição silenciosa, conseguem comandar centenas de pessoas, mas não conseguem dizer "não" para os próprios impulsos.
É o que podemos chamar de sucesso fracionado. De um lado, uma competência técnica impecável; do outro, uma bagunça emocional escondida.
Imagine essa pessoa no escritório. Seja homem ou mulher, no ambiente profissional é o capitão do navio, firme e decidido. Mas, quando cruza a porta de casa, parece que a disciplina fica no crachá.
Para essas pessoas, o esforço exaustivo do trabalho vira um tipo de "crédito moral". É o perigoso pensamento do "eu mereço". Como carregam o mundo nas costas o dia todo, sentem que têm o direito de exagerar na comida, ignorar a saúde ou buscar distrações e prazeres imediatos que desrespeitam até quem está ao seu lado. Usam o sucesso profissional como um passe livre para o caos na vida privada.
O grande nó dessa história é a diferença entre ter poder e ter autoridade. Muitos líderes têm poder sobre os funcionários, mas são escravos dos próprios desejos. No palco da empresa, dão ordens; nos bastidores da vida real, não conseguem manter uma promessa feita a si mesmos. Podem gerenciar milhões, mas perdem a luta para o tédio, para a preguiça ou para um vício. É uma vida dividida, um gigante no mundo externo e uma criança sem limites no mundo interno.
Muitas vezes, esse comportamento é alimentado pelo vício na adrenalina. Fechar um negócio ou conquistar poder traz uma resposta rápida de vitória. Já cuidar do corpo, dormir cedo ou cultivar a paciência em casa não dá esse "troféu" imediato. Então, a pessoa foge para o que brilha mais. No fim das contas, governam reinos inteiros, mas continuam sendo estranhos dentro da própria casa e prisioneiros das próprias vontades.
A verdadeira liderança não começa na mesa de reuniões, mas no espelho. Afinal, de que adianta conquistar o mundo se você ainda não aprendeu a conquistar a si mesmo?
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Débora Máximo é influencer e graduanda em Psicologia

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