Professor do CEJA e tutor do polo Cederj, organizações administradas pela Fundação Cecierj, destacam o carnaval como espaço de educação, cultura e transformação social
Professor Lucas Grande Rio - Fotos: Wesley Barbosa/Cecierj
Quem disse que Educação e Carnaval não combinam? Um professor da rede CEJA (Centro de Educação de Jovens e Adultos) e um tutor do polo Cederj (Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro), instituições da Fundação Cecierj, que é vinculada à Secretaria de Estado Ciência, Tecnologia e Inovação, são a prova viva de que a festa cultural mais popular do mundo é também espaço de aprendizado e transformação social. Edilson Reis de Souza Júnior, mais conhecido como Xunei, é professor de Física, docente do CEJA Mesquita e do CEJA Belford Roxo e diretor de bateria da Beija Flor de Nilópolis. Já o professor Lucas Barros é também mestrando em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), campus Duque de Caxias, com um trabalho focado na escola mirim Pimpolhos da Grande Rio.
Edilson iniciou seu caminho na Beija-Flor em 1998, desfilando em ala. Movido pela paixão pela música, decidiu aprender a tocar tamborim para participar de blocos da Zona Sul do Rio de Janeiro, especialmente o tradicional Monobloco. Como ritmista, integrou a bateria da azul e branca de Nilópolis, sob a direção dos mestres Paulinho e Plínio. Entre 2012 e 2013, recebeu do Mestre Rodney o convite para assumir o cargo de diretor de bateria da escola, com a aprovação do saudoso Mestre Laíla. Desde então, exerce a função, e contribui para a excelência e o reconhecimento da agremiação no Carnaval carioca, conciliando sua atuação artística com as funções de educador.
“Ensinar é uma missão e uma paixão, assim como o Carnaval. Praticamente nasci na Sapucaí, pois meu pai sempre saiu na Beija Flor e foi responsável pela comissão de frente da escola. E minha mãe foi passista da Caprichosos de Pilares”, conta ele, fazendo também uma relação entre Educação e o Carnaval. “A Educação é tudo, aprendizado e valores. Fora conceitos básicos da Física que a gente identifica no samba, como som e frequência, observamos na organização das agremiações questões como a disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe... Concilio tudo muito bem e meus alunos têm a maior curiosidade nesta rotina. Muitos se inspiraram e hoje são ritmistas também”, conta o professor, morador de Nilópolis.
Já Lucas Barros desenvolve pesquisa acadêmica que tem o Carnaval como eixo central, com foco na escola mirim da Acadêmicos do Grande Rio. Ele desfila na agremiação de Caxias há três anos e também da Portela. Sua vivência prática no universo do samba antecede o ingresso no mestrado e foi determinante para a construção de seu projeto de pesquisa, que relaciona Educação, Cultura e formação social a partir da experiência das escolas mirins. Além da atuação acadêmica, Lucas também é tutor das disciplinas Linguística I, Literatura Brasileira II e Literatura Brasileira IV no polo Cederj de Nova Iguaçu.
O professor e pesquisador sempre foi um apaixonado pelo Carnaval. “Desde criança assistia aos desfiles e mergulhava naquele mundo de fantasia, mas achava que aquilo não era pra mim. Acreditava que seria complicado ocupar ali um espaço, participar dos ensaios e entrar na avenida. Foi depois da pandemia, após todo aquele isolamento, que a vontade de desfilar aumentou. O acaso me fez conhecer um diretor de ala da Grande Rio, que me encaminhou e pude realizar meu sonho de menino”, conta Lucas. A escolha da Pimpolhos da Grande Rio como tema de sua tese de mestrado parece estender esse olhar do Lucas criança para os pequenos sambistas da comunidade de Caxias. “O estudo aborda temas relacionados à educação e como o trabalho das escolas tem um impacto social e cultural na vida dessas crianças e pode ajudá-las e melhorar de vida”, explica.
As trajetórias desses dois professores evidenciam o Carnaval como espaço legítimo de produção de conhecimento, identidade e formação geral e reforça o diálogo entre Educação, Ciência e Cultura no estado do Rio de Janeiro.
Fotos: Wesley Barbosa/Cecierj
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