A percepção dos tempos
Entender o tempo é uma das chaves fundamentais para uma vida equilibrada, pois quando não compreendemos o ritmo das estações, a própria existência se torna um fardo mais pesado.
Há uma ordem natural que rege nossos dias, um tempo específico para plantar e um tempo exato para colher. Esse ciclo é uma constante que se repete em diversas áreas, mas a nossa dificuldade reside na pressa. Quando ignoramos essa cadência, tentamos colher na época em que deveríamos estar semeando e o resultado inevitável dessa inversão é a frustração.
Muitas vezes, associamos essa ansiedade apenas à adolescência, fase em que o desejo de ser adulto e ter liberdade nos faz atropelar etapas, trazendo consequências que poderiam ser evitadas se soubéssemos esperar e viver no tempo certo. No entanto, o desejo de apressar o relógio não é um hábito puramente juvenil, ele nos acompanha pela vida inteira.
Nessa jornada é preciso ter a clareza de que, quando plantamos errado ou cultivamos um fruto que não nos sustenta é necessário ter a coragem de mudar, analisando se o erro está na terra ou na escolha da semente. Da mesma forma, precisamos compreender que a vida é feita de ciclos, pode ser que tenhamos plantado certo no passado e para aquele tempo, a colheita tenha sido ótima e farta, mas o tempo passou, os tempos agora são outros e o que funcionava antes pode não servir mais para o presente. Nesses momentos, a sabedoria reside em reconhecer que aquele ciclo se encerrou e que será necessário buscar novas terras.
Imagine o desafio de mudar de cidade e recomeçar do zero. Esse novo cenário exige a sensibilidade de perceber as necessidades daquele solo específico antes de qualquer ação. Não se constrói uma vida significativa sem entender que o plantio de hoje define o sustento de amanhã. É preciso paciência para sondar o terreno e perseverança para estabelecer uma base sólida, aceitando que cada recomeço exige um novo tempo de maturação.
A sabedoria não está em ter todas as colheitas agora, mas em saber identificar o que o solo pede e ter a resiliência de plantar novamente, com a semente certa para o tempo atual, respeitando o tempo de espera com a mesma dignidade com que se celebra o fruto colhido.

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